domingo, 29 de novembro de 2009

Peito Vazio...

Há momentos que não se tem forças para dizer o fundamental. Deixo Cartola cantar por mim...

Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio
Me faltando as tuas carícias
As noites são longas
E eu sinto mais frio.
Procuro afogar no álcool
A tua lembrança
Mas noto que é ridícula
A minha vingança
Vou seguir os conselhos
De amigos
E garanto que não beberei
Nunca mais
E com o tempo
Essa imensa saudade que sinto
Se esvai



terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Jardins da Infância"

"Como num conto de fada, tem sempre uma bruxa pra apavorar"




Dessa vez Maria resolveu ir de vez. Ela era um pouco mais esperta, ou pelo menos pensava que era.

João sem medo atravessou a floresta em busca de um quê. E da hora de voltar, recordou-se das "migalhas dormidas do teu pão". As procurou, sem êxito algum.

Será culpa de algum passarinho?

E agora João? Não sabes o caminho de volta?



"Agora era fatal

Que o faz-de-conta terminasse assim

Pra lá deste quintal

Era uma noite que não tem mais fim

Pois você sumiu no mundo sem me avisar

E agora eu era um louco a perguntar

O que é que a vida vai fazer de mim?"
* Eu não ia postar, mas os dedinhos coçaram... esse episódio precisava ser registrado...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sensações

Aqui está tudo bagunçado... como meu espírito...

Vou sentir falta de mentir para a minha avó para brincar na rua... de voltar com o joelho ralado mas com o coração feliz... das lembranças que tenho do Dino e de como ele me salvou quando eu prendi o joelho no portão de madeira da casa da vovó... De quando ríamos escondidos da vovó quando quebrávamos um pato da estante dela... de sentir medo das estórias fantásticas do amazonas do vovô... e de como ele falava “ô jequeri”...

Vou sentir falta das vezes que sonhei com um quarto só meu, onde eu poderia espalhar meus ursos de pelúcia e minhas bonecas, que ficavam guardadas sem eu poder brincar... Vou sentir falta da risada de quando eu peguei a minha bola roxa escondida e brincando estourei na rua...

Vou sentir falta dos caldos que papai fazia no “Tô à Toa”, eram sempre “de arrebentar a boca do balão”... e do cheiro das orquídeas que floriam e que ele trazia para dentro de casa...
Vou sentir falta do cheirinho da lasanha que mamãe fazia... e da simpatia que eu e a Lola fizemos para as visitas irem embora, para assistirmos Dança com Lobos, comendo lasanha e de sobremesa brigadeiro... Será que jogar sal para fora de casa espanta visita?

Vou sentir falta de dar voltas no campo dos freis de bicicleta, e daquela vez que todo mundo foi me ver e eu fui dar um tchauzinho e caí me ralando inteira... eu tinha acabado de aprender a andar... E se a princesinha do Paraguai é a Capital das Bicicletas, nunca pertenci de fato a região, porque sempre fui barbeira...

Vou sentir falta da Tia Maria do cachorro quente... E da praça cheia de crianças... de quando eu me sentava no chão para conversar com os hippies nos festivais... das largadas nos domingos... das vezes que sentei à beira do rio, para escrever, pensar, chorar, namorar, fumar um cigarro escondido... Vou sentir falta da Praça Duque de Caxias, e de quando lá os flamboyants florescem... E do bêbado que sentava no mesmo banco que eu...

Vou sentir falta de quanto era bom cantar Vamos Fazer um Filme nos corredores da escola, e quando fazíamos competições de cantar Faroeste Caboclo sem errar... E o Saulinho sempre cantava direitinho... De quando fugíamos da sala para ouvir Jon Bom Jovi cantando Jane don’t take you love to town... e quando a Naty chorava por causa do Lu no banheiro... das vezes que eu tive vontade de arrancar os cabelos da Aline quando ficávamos de mal... e das vezes que fazíamos as pazes e escrevíamos bilhetinhos toda semana... De como era engraçado rir das piadas da Gra... De como era bom ser rebelde com a Flavinha... de pedir um pedaço de maçã para a Nathália... de dividir o cachorro quente nas sextas-feiras com quem pudesse... de como era legal ler Romeu e Julieta com o Rodrigo... Vou sentir falta do formigamento na barriga quando eu passava por certa sala... e quando via o Gui no corredor... dos jogos da escola e de quanto aposentei meus tênis e virei torcedora, porque era uma negação em esporte..

Vou sentir falta dos almoços nos domingos na casa do Tio Marcos e da Tia Rita... de quando o Rafinha ficava lá em casa... da vez que tive de colocar Mogli e dançar como os elefantes para fazer ele comer a pêra... de quando íamos tomar banho de piscina e ele pedia um “exagelado”... dos domingos na casa da Tia Dê... de quando o Kauê estava aprendendo a tocar violão, e o Tio Marcos pedia “Do seu lado” e errava toda a letra... de quando decidimos aprender a dançar forró... e das festas juninas na nossa casa... da vez que casei com o Saulinho, com um vestido de noiva lindo... e de como o Rô deitou no meu colo...

Vou sentir falta das festinhas em casa... das milhares e milhares de garrafas de cerveja... e de como às 3h da madrugada nos sentíamos, Chico, Vinicius, Elis, e até nos apresentávamos como Os Tribalistas... E o que falar da nossa fase Pink Floyd? Das vezes que o Saulinho ligava na minha casa e dizia que era Marcelo e que “tinha me visto na praça e tinha me achado gatinha, e que estava mó a fim de ficar comigo... Da vez que ri na cara do meu futuro namorado quando ele disse “que estava mó a fim de ficar comigo”. De quando apagávamos as luzes da área e sentávamos no fundo do quintal para olhar as estrelas... e contávamos estrelas cadentes... ouvindo Summertime com a Janis... De como choramos ao sentir que a escola estava no fim... e que todos iríamos para um lado... até descobrirmos que existiam as férias e a saudade era forte... e ainda pudemos reinventar a amizade por 6 anos e diversas vezes... quando brigávamos e pedíamos desculpa em seguida...

Essas sensações de 23 anos, têm estado aqui... É como se todas lembranças armazenadas, após serem lembradas... e sentidas... Deveriam ser guardadas num baú... Vou levá-las na mudança...

O que intriga é que tenho certeza do que passou... e do agora... apesar do medo do amanhã... esse nunca me fez tão bem como agora... Ir embora é aceitar que isso tudo realmente passou... e que papai não está mais aqui... E que a identidade dessa menina que fui aqui... fica aqui...

Estou suspendendo por um tempo os posts aqui. Minha vida está como a sala bagunçada de livros daqui de casa... meu quarto nem existe mais... daqui uns dias vou ter de enfrentar algumas burocracias, em meio a estudos... o concurso em janeiro... o conflito de passar pelo exame da ordem ou não? E em 27 dias tudo poderá acontecer... e ainda o sentimento de que desde que ele se foi já faz quase um ano... Voltarei apenas para desejar-lhes um bom final de ano...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E agora, José?

"A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?"

O vinho também acabou...
E agora Maria?

eu vou dormir em paz...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

4 de novembro


- Você tem de tirar fotos em dias como esse!
- Pega a máquina e tira você mesma. Vai lá!
- Olha só que céu! Gostou
- Lindo mesmo!


*Saudade desse dia!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

...





O corpo quer, mas a alma inquieta não permite.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Eu conheço essa batida.

"Meu amor, meu bem me leve
De ultraleve
De avião, de caminhão
De zepelim..."

Saiu do trabalho. E já havia parado de chover, mas a rua continuava molhada. Ela ergueu as barras da calça, que estavam ainda por fazer. E olhando para o chão, como era de costume, viu pétalas espalhadas, de que momentos antes era uma rosa. Pensou que poderia ter sido ele passando por ali, que tentando forçar uma coincidência provocada, para agradá-la (ela gostava de provocar tais coincidências), fora ali contempla-lá ao final da tarde, mas como ela se atrasou, deixara as pétalas caídas para que pudessem colorir o seu dia, que tinha sido um pouco cinzento, de uma natureza morta, de uma selvageria cimentada... Aquele não era o lugar onde ela amou um dia.

Bem-me-quer, Mal-me-quer, Bem-me-quer... Bem-me-quer, Mal-me-quer, Bem-me-quer...

E ela se repetia: - O meu amor tem esse jeito assim: singular e só meu. Para os corações como o dela, o amor durava demasiadamente pouco tempo, mas de tamanha intensidade, não sendo possível mensurar.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Questionamentos





Algum dia sentiu que o que faz parte do teu presente não te pertence mais, cada vez que o segundo passa?
Ou aquilo que mais ama não fará mais parte de tua essência futura?
Ou que o lugar no mundo que pensou pertencer é de um eu seu que ficou no passado?
E não adianta forçar-se... tudo não é mais como antes. O cenário mudou. Algo para aqui.
Algum dia sentiu felicidade por mudar, sem olhar para trás? Será pecado? Se sim, condenado estou. Fadado ao destino inevitável do novo.





segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Diário de Bordo

Cac, 26 de outubro de 2009.

Capitão,

Hoje fui ao teu encontro. Sei que por ali te escondes desta vida que te pertenceu. Consola-me saber que há este lugar, onde sempre poderei te encontrar. Disseram-me uma vez que é muito bom olhar o rio quando se está triste, é como se ele levasse embora pelo seu curso todas as tristezas que há, de quem o contempla.
Acredito que nem por fotografias se explica a imensidão do rio dentro de mim. Enxerguei toda nossa vida, através daquele espelho.
A chuva logo veio e eu pude enxergar além, e não tive medo. Tenho a certeza de que parte de mim partirá para sempre, e a outra viverá de memórias e reminiscências de uma vida perfeita, ainda que diante de tantos percalços.
Perder não é fácil, e é com lágrimas nos olhos que aceito o vento, e as gotas doídas da chuva. E que a chuva traga o alívio imediato.

Até breve,

Não te esqueças de cevar os peixes e deixar que as águas permaneçam cristalinas. Não me esqueço nunca de teu sorriso.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Nota de esclarecimento...


Cantei tanto "Quero" na voz de Elis, que foi inevitável buscar "um refúgio que seja seguro"! Estou a dias de um concurso, que não é tudo que quero, mas é tudo que preciso. Estou na casa dos meus "tios padrinhos", aproveitanto para fazer uma revisão, e descansar um pouco... Como preocupação e ansiedade dão rugas, nada como cuidar da pele, e rir um pouco pintando a cara... E que fique claro não é propaganda de livro! rs.. Boa Semana a todos, em poucos dias eu estarei de volta.